Terças Whovians: Listen

Terça-feira é dia de Terça Whovian e, em plena temporada de Doctor Who, isso quer dizer mais uma discussão sobre o novo episódio da série. O do último sábado, entitulado Listen, foi escrito pelo showrunner da série, Steven Moffat e contou com o Doctor de Peter Capaldi, Clara Oswald e o mais novo personagem recorrente da série, Danny Pink. Como já é de costume, esse é um post que contém vários spoilers.

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Listen foi um episódio que dividiu opiniões. Muitos o estão chamando de um dos melhores episódios de Doctor Who. Eu, porém, não me encaixo nessa metade dos fãs. Para definir o episódio com uma palavra só, na minha opinião? Pretensioso.

Já comecei com uma certa antipatia do monólogo inicial do Doctor. Aliás, muito embora tenho que admitir que o Capaldi é um ator fenomenal, seu Doctor ainda não me conquistou. Em seu monólogo, o Doctor teoriza que talvez nunca estejamos verdadeiramente sozinhos. E quer porque quer descobrir quem ou o quê que nos faz compania mesmo quando não o vemos. listen01

Claro que para isso, ele precisa da ajuda da Clara, que está num encontro finalmente com Danny Pink, seu colega de trabalho. Clara aparentemente quando fica nervosa é totalmente insensível, pois faz brincadeiras com assuntos que exigem certa sensibilidade. Já ficou bem claro que Danny, que era soldado, sofreu algum tipo de trauma, mas mesmo assim Clara continua a fazer brincadeirinhas com isso. O encontro não acaba bem. listen002

O Doctor precisa da ajuda de Clara para que ela conduza a TARDIS para o local e tempo onde pela primeira vez teve o sonho em que você acorda, coloca os pés para fora da cama e alguma coisa embaixo dela agarra seu tornozelo. Aparentemente, todo mundo já teve esse sonho. Foi aí outro problema para mim: eu nunca tive, o que diminuiu consideravelmente o medo que eu deveria ter sentido desse episódio.

Mas Clara está distraída por causa de seu encontro, o que faz com que a TARDIS, conectada psiquicamente com a Clara, vá parar em um lugar totalmente diferente. Lembra de como é normal em Moffat Who que o Doctor conheça suas companions quando ela ainda são crianças? Lógico que Danny Pink não escaparia dessa sina, e é para lá que nós vamos: conhecer Danny em sua infância, um garotinho com medo que acabou de acordar de seu pesadelo. listen004

Essa foi uma parte do episódio que gostei, quando a Clara tenta acalmar o garoto (o Doctor é terrível nisso). Mas a parte em que alguma coisa ou alguém fica em cima da cama de Danny (que aparentemente era Rupert quando criança e trocou de nome), foi meio idiota, na minha opinião. Acredito que a idéia do episódio era que nós, espectadores, sentíssemos medo, mas eu simplesmente não consegui.

Clara e o Doctor ainda conhecem um futuro familiar de Danny Pink, um viajante do tempo pioneiro, que estava perdido no fim do universo, literalmente. Se o Doctor se importasse em perguntar para a Clara porque eles estão conhecendo todos esses Pinks, talvez teria desconfiado de que ela realmente estava distraída ao dirigir a TARDIS, mas como o Doctor de Capaldi aparentemente não se importa com nada…

Existe então a insinuação de que Orson Pink, o viajante do tempo, é também descendente de Clara, o que meio que mata todo e qualquer sentimento de shipping que eu pudesse ter por Clara e Danny. Afinal, como saber agora se ela vai ficar com Danny porque gosta dele ou porque acredita que seu futuro é com ele? Moffat infelizmente brinca muito com o timey-wimey da história, de uma maneira que neutraliza relações e sentimentos. listen003

No fim da história, Clara vai parar no celeiro de Rassilon, onde um Doctor ainda criança se esconde para dormir porque tem medo do escuro (não faz sentido nenhum). Clara se esconde embaixo da cama dele e adivinha só o que acontece quando ele se levanta? Haha, você adivinhou: ela pega o tornozelo dele. E é essa a explicação dada para toda a obsessão do Doctor pelo bendito sonho, junto com o discurso que a Clara faz para ele. O discurso até seria bom, mas também é pretensioso. listen001

Eu não consigo gostar de Doctor Who assim. Na minha opinião, Steven Moffat se perde tentando fazer algo grandioso e só acaba esburacando a história. Mas teve muita gente que gostou, então sei lá… Toda a pretensão de Moffat deve agradar alguém.

Espero que goste mais do episódio da semana que vem. Vou ficar feliz se a gente não voltar para o celeiro de Rassilon. mari-transp

1 comentário

Arquivado em Terças Whovians

Uma resposta para “Terças Whovians: Listen

  1. Maria Lourdes

    Não, não vai gostar do episódio que vem. Nem de nenhum.
    Nós somos parecidas em gosto, Mariana. Moffat pode ser um bom showrunner, se quiser. Produziu obras primas com Matt Smith – tipo Rings of Akhaten, mais lindo episódio de todos – mas agora se perdeu.
    Ainda bem que essa temporada tem só 12 episódios, passa logo.
    Que venha a 9a temporada…

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