Terças Whovians: The Caretaker

O sexto episódio da oitava temporada de Doctor Who (nossa, já foram seis episódios?) voltou às raízes da série clássica, quase que literalmente: voltamos ao Coal Hill School, onde se passou grande parte do primeiro episódio exibido em 23 de novembro de 1963, entitulado “An Unearthly Child” e que é atualmente o local de trabalho de Clara Oswald. Mas essa não foi a única coisa que pareceu voltar do passado…

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A atitude do décimo-segundo Doctor tem parecido muito com a atitude do primeiro Doctor, interpretado por William Hartnell. Ele é um Doctor distante, curto e grosso, que não se envolve com as pessoas (ou melhor, não gosta de demonstrar isso) e nem faz questão de se relacionar com ninguém. Já estávamos sentindo a diferença, claro, seja pelos episódios, seja pelos comentários de Peter Capaldi em suas entrevistas. Mas nesse episódio sua mudança de atitude se mostrou com mais clareza.

Acho que Capaldi está dando show em sua atuação como o Doctor, mas tenho problemas com a direção que está sendo dada ao personagem. Parte desses problemas tem a ver com minha opinião pessoal: nunca consegui exatamente gostar do primeiro Doctor por causa dessa atitude. Mas pelo menos, com o primeiro Doctor, eu conseguia entender o porquê dele parecer tão pouco humano e tão alien: ele estava erradicado na Terra e não tinha quase contato nenhum com os humanos. Fazia sentido por exemplo a Susan, sua neta, ter muito mais jeito pra lidar com a Barbara e o Ian, afinal ela frequentava a escola e, apesar de parecer estranha para os colegas, ainda assim tinha mais experiência do que o avô.

Agora, me diz que desculpa tem o Doctor agora, depois de 1800 anos, depois de ter andado com humanos grande parte da vida, morado na Terra quando ficou exilado pelo Conselho dos Senhores do Tempo e basicamente salvo a humanidade quase todo ano no Natal, para não saber lidar com os humanos? Me parece um pouco forçado demais.

Outra coisa que me irritou um pouco nesse episódio: a atitude do Doctor em relação ao Danny Pink. O Doctor nunca concordou com a instituição militar, o que várias vezes foi demonstrado durante os episódios, mas sempre foi uma coisa mais com a ideologia, ligado à maneira como os militares lidam com os problemas. Agora, porém, o Doctor parece odiar os soldados, indivíduos, o que é no mínimo hipocrisia ao extremo.

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O Doctor lutou na grande Guerra do Tempo (putz, nunca tinha traduzido Time War antes, que estranho). E mesmo que o que nós vimos disso foi ele grafitando “NO MORE” no muro, fica claro que ele também foi um soldado e deveria saber, mais do que ninguém, que os soldados tem os mais variados motivos para estarem lutando numa guerra. Como podem ser todos colocados no mesmo saco e julgados dessa forma?

 E foi por isso que nesse episódio eu cheguei a ficar brava com o Doctor, e sinceramente achei é pouco quando o Danny acabou falando umas verdades para ele, chamando-o de SENHOR! e batendo continência. Claro que o Doctor ficou fulo da vida com isso, principalmente quando o Danny diz que é um soldado, mas que o Doctor é um oficial, explicando que ele tira as pessoas das confusões, mas que os oficias são os que iniciam o fogo.

Tentei encontrar a relação certa na hierarquia militar brasileira, mas basicamente são chamados de Oficiais os que têm alguma função de liderança. Não sei se existe a tradução perfeita, mas a idéia é basicamente essa, e eu gostei muito do diálogo.

Depois de toda a briga, o Danny diz que consegue entender o Doctor, já que só precisa saber que ele é bom o suficiente para a Clara e é por isso que ele estava tão bravo.

Para mim, esse episódio me fez ficar desapontada com o Doctor – e esperar que toda essa atitude tenha um bom motivo – e respeitar ainda mais o Danny Pink. A Clara ficou meio perdida, tentando conciliar os dois… e pode ser que acabe tendo que escolher entre um ou outro. Acho que gostaria de vê-la escolhendo a vida comum, mas não sei se isso vai acontecer…mari-transp

1 comentário

Arquivado em Terças Whovians

Uma resposta para “Terças Whovians: The Caretaker

  1. Maria Lourdes

    Não gostei da atitude do Doctor nesse episódio, também. Não faz sentido. Um dos melhores amigos dele era o Brigadier, lembra? E o Terceiro trabalhou com ele por cinco temporadas! O Brigadier é o companion mais longevo de todos, passou desde o Segundo até o … Quinto? Ou Sexro? Não lembro da última aparição dele…
    Mas o que queria dizer é isso: o Doctor do Capaldi não se interessa mesmo por humanos, não se i porta com sua aparência e sequer lembra dos rostos, de quem é quem.
    Pode ter a idade que for, esse Doctor é assim. Para ele, os humanos deviam usar crachás de identificaçao.

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